Os trapalhões. Existe ou não contrato com a Icelandair?

Muitos podem até atirar a cara para o lado, a fingir que tudo vai bem, mas temos por certo que não passa despercebido ao cabo-verdiano mais distraído, o estado anedótico em que o atual poder tem estado a colocar o país. 

Cenas risíveis, inacreditáveis, fúteis, passaram a fazer parte do cardápio político cabo-verdiano, com o agravante de ser de consumo obrigatório, porque não há escolha, ou se consome o que de cima vem, ou seja, dos corredores do poder, ou se é “boiada desavisada”, mergulhada na politiquice e malandragem de ordem ideológica, ou doutrinária, apreendida nas velhas escolas marxistas dos regimes ditatoriais do leste europeu. 

São, enfim, os mimos do costume, quando faltam argumentos, ou quando o mote é exatamente “passar por doido”, para não responder, com causa e consequência, aos desmandos de uma governação aos ponta pés. É a velha sina de um país governado por trapalhões.

Um governo fantástico, dirigido por políticos fantásticos, que descobriram no setor privado, na economia do mercado e na dilapidação das empresas públicas, a varinha mágica que há de resolver todos os males de um país insular, minúsculo, sem mercado e sem recursos naturais. 

Verdade! Políticos fantásticos, suportados por um sofisma discursivo fantástico, pretendendo mergulhar uma nação inteira na utopia de um liberalismo fantástico, tributário de um futuro próspero, mágico e florescente. Um futuro fantástico, pois! 

Políticos fantásticos, que, “sem djobe pa ladu”, são capazes de mentir com a cara mais séria do mundo, e se descobertos, fingem-se de sonsos, assumem a matreirice de “passar por doido”, com uma mestria e naturalidade tais, capazes de fazer inveja ao mais destacado ator de Hollywood. 

Duvidas, caro leitor?… Ora, então, fica por sua conta classificar estes factos políticos que intramuros aconteceram recentemente, a ver se continuas duvidando, ou se desta feita ficarás esclarecido do real estado de governação deste país. 

Há poucos dias, no Parlamento, o chefe do governo Ulisses Correia e Silva, afirmava perante os deputados da nação, numa transmissão direta para todo o país, que não existe qualquer contrato com a companhia Islandesa, Icelandair, no quadro do programa de privatização da TACV internacional. 

O primeiro-ministro, que no ano passado, entregou a gestão da TACV àquela companhia privada estrangeira, assumindo todos os encargos financeiros, de aluguer de aviões a indemnização dos antigos trabalhadores da companhia aérea nacional, afirmava aos cabo-verdianos ter contratado o parceiro estratégico para a privatização da TACV sem contrato.

Ou seja, sem papel! Como se fosse um negócio de compadres, simples, onde a vontade das partes assumia todos os vínculos, e as vantagens e os riscos também. Estranho, caro leitor! Um homem com tamanha responsabilidade agindo como se o país fosse sua propriedade privada, quiçá, seu quintal. 

Porém, sendo o cabo-verdiano um povo de boa fé, poder-se-ia com naturalidade tomar de barato este ato do chefe do governo em contratar um parceiro privado estrangeiro sem contrato, num processo de privatização de um setor estratégico, não só para o desenvolvimento do país, mas também, e sobretudo, para a reafirmação da competitividade da sua economia no contexto mundial, mas não será isto possível, pois sobressai aqui um ponto a exigir esclarecimento, um buraco a ser tapado. 

Sim! É necessário que se saiba quem está, ou não, a falar a verdade sobre a privatização da TACV internacional, uma vez que quando a Icelandair começou a gerir a TACV internacional praticamente as informações não circulavam, os parlamentares desconheciam os meandros do negócio, e por isso mesmo, as especulações espalharam, como rastilhos de pólvora. 

Foi então que a direção do grupo parlamentar do PAICV endereçou uma carta ao Olavo Correia, solicitando informações sobre o negócio, e este governante respondera, numa carta concisa e direta, onde se declarava impedido de prestar todas as informações solicitadas pelo maior partido da oposição, porque se encontrava amarrado por uma cláusula de confidencialidade que não lhe deixava grandes margens de manobra, a não ser que a Icelandair o autorizasse neste sentido. Muito grave num negócio público, do estado, diga-se de passagem! Mas isso são contas de outro rosário.

Fonte: Santiagomagazine