“Não conseguimos ver nada de novo deste Governo em São Vicente “- Janira Hopffer Almada

Mindelo, 22 Out (Inforpress) – A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) afirmou terça-feira, em São Vicente, que passados três anos e meio de mandato, não se consegue ver investimentos do Governo em São Vicente.

Janira Hopffer Almada falava à margem do encontro com os militantes e simpatizantes do PAICV em São Vicente, após ter visitado a delegação do Instituto Cabo-Verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) o Centro Juvenil Nhô Djunga e a Oficina de Ti Nênê.
Segundo a presidente do PAICV, não é preciso fazer visitas para se constatar que não há “um verdadeiro investimento” na área social em São Vicente, sublinhando que basta apenas ouvir as mães chefes de família para constatar a situação.

“Basta ver e andar na rua e sentir que as pessoas não estão a viver melhor. E não poderiam viver melhor porque dizem que o país está a crescer a 5 por cento (%) mas a taxa de desemprego está em 12,12% e foram destruídos 15 mil empregos entre 2017 e 2018, sendo que em São Vicente foram cerca de 3000,” elucidou a mesma fonte.

A líder do maior partido da oposição lembrou que as famílias mais vulneráveis “não sentem esse crescimento”, na saúde, na educação, na habitação e “não estão a sentir a nível da redução das desigualdades sociais.”

Para Janira Hopffer Almada, esse crescimento concentra-se num “pequeno grupo de pessoas perto do poder” e os cabo-verdianos “não estão viver melhor.”

Isto porque, ajuntou, “os salários não aumentaram”, mas “aumentou o custo de vida, da água, da electricidade, do gás, dos combustíveis e as pessoas têm menos recursos para viver.”

Na conversa com os militantes, a presidente do PAICV questionou sobre os projectos prometidos pelo Governo para São Vicente.

Citou os casos da Zona Económica Especial, da requalificação do aeroporto Cesária Évora para receber voos nocturnos internacionais, da geração de empregos dignos para os jovens, da promessa de se fazer de São Vicente uma referência mundial no turismo e na cultura e da aposta nos transportes marítimos, entre outros.

“É que em todas essas áreas ou não há novidade ou está pior. Exemplo claro são os transportes marítimos e aéreos em que o segundo maior centro populacional de Cabo Verde foi excluído dos voos internacionais da companhia que tem capital público cabo-verdiano.”

A presidente do PAICV afirmou que quis visitar a delegação do ICCA em São Vicente porque “dois centros do ICCA foram encerrados na cidade da Praia” e teve conhecimento também que o “Nôs Kasa, se já não foi encerrado, está em vias de ser encerrado.”

Janira Hopffer Almada disse esperar por isso que o Governo não esteja a pensar também em desmantelar o ICCA, que é uma instituição “muito importante”, que “dá cobertura e respostas a muitas crianças e adolescentes que precisam de protecção.”

Seguindo a mesma linha da líder do PAICV, o presidente da Comissão Política Regional (CPR) do PAICV em São Vicente, Alcides Graça, afirmou que o slogan “juntos somos mais fortes”, que foi apresentado na campanha eleitoral e que ficou na cabeça dos sanvicentinos, “não trouxe nenhuma esperança” à ilha. Isto, sustentou, apesar de São Vicente ter experimentado um novo modelo que nunca tinha acontecido, que era ter o mesmo partido na Câmara e no Governo.

“No próximo ano, vamos continuar a ter um São Vicente eclipsado que não acompanha o pelotão de desenvolvimento de Cabo Verde, cada vez mais retraído e com retrocesso em muitas áreas,” lançou Alcides Graça, para quem “este é um sinal” para os militantes “despertarem e convergir as forças por amor ao PAICV e a São Vicente.”

No seu entender, tanto os governos centrais e local têm tido um “conjunto de azar” ou implementado “políticas erradas” que estão a “conduzir a ilha para o abismo.”

Citou, por exemplo, a política de transportes aéreos, a promessa do Centro de Diálise desde 2017, o risco de desmantelamento do Ensino Superior em São Vicente, entre outros.

Enquanto isso, criticou Alcides Graça, o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, que antes “atacava” o Governo do PAICV e os seus ministros, hoje ele é “um homem calado, silenciado” e que “não assume a sua responsabilidade e o seu compromisso com os sanvientinos.”

Fonte: Inforpress