Militares insatisfeitos com a suspensão de promoções e progressões nas FA

De acordo com um documento a que o Notícias do Norte teve acesso, o Governo, através do Ministério das Finanças, suspendeu as progressões e promoções nas Forças Armadas de Cabo Verde.

“As Forças Armadas de Cabo Verde, informa a todos os militares, que de acordo com informações do Ministério das Finanças, devido a situação sanitária e económica, suspendeu todas as promoções e progressões”, refere o documento.

Tendo em conta o contexto internacional pelo que houve uma decisão do governo, face ao contexto de crise, em suspender as promoções e progressões e conforme a nossa fonte, que preferiu o anonimato, dá conta que este ato também bloqueia o pagamento de uma atualização salarial já conseguida, mas que não foi implantada para este ano e 2021. “Uma atualização salarial que desde 1993 que não tínhamos tido uma, mas que já foi cortada”, lamenta este militar.

No entanto, recorda que esta actualização já tinha sido publicada no Boletim Oficial desde de fevereiro passado. “Por isso, nós os militares sentimos injustiçados e abandonados pelo ministro da Defesa, que desde que assumiu a pasta reuniu-se apenas uma vez com os militares, para se inteirar dos seus problemas”, critica.

Os militares ouvidos pelo NN, sob anonimato, dizem que o governo está a usar a pandemia como desculpa. Mas, que eles, tendo em conta a situação difícil que se vive, “o pessoal militar acabou por aceitar com normalidade a decisão”. Mas dizem-se espantados quando se verificou recentemente muitas promoções na Polícia Nacional e que, por outro lado, os militares ficam sem este direito”.

Contudo, algumas são as vozes que se levantam contra esta medida e alegam que dentro das FA, existe neste momento “grande sentimento de injustiça e de abandono por parte do nosso ministro da Defesa e do Chefe do Estado-Maior das Força Armadas”.

Pelo facto do estatuto militar não permitir o direito à greve, diz que existe uma sensação de serem o “elo” mais fraco, logo não podem reivindicar os seus direitos recorrendo a esta forma de luta.

Posto isso, levanta a questão de “todas as outras instituições na área de segurança conseguirem, com recurso a greve, resolver muitas reivindicações antigas como promoções, progressões, aumento salarial, mas os militares infelizmente não podem fazer isso”.

Portanto, assegura que o sentimento é generalizado. “Da classe dos oficiais superiores nem estão interessados, porque as suas regalias não lhes permite entrar em confronto com o ministro”.

Contactado por email, o comandante das FA para questões de pessoal, a pedir o contraditório, até ao momento da publicação deste artigo não houve nenhum pronunciamento.

Elvis Carvalho

Fonte: Noticias do Norte