Maio: Secretária-geral da UNTC-CS denuncia “abandono” dos trabalhadores da ilha

Porto Inglês, 31 Jan (Inforpress) – A secretária-geral da UNTC-CS disse hoje que os trabalhadores do Maio estão “abandonados” pela Direcção-Geral do Trabalho (DGT), porque apesar da denúncia de casos de violação dos direitos laborais não se deslocaram à ilha para averiguar os factos.

Em declarações à Inforpress, Joaquina Almeida assegurou que a semelhança das outras instituições e ministérios, a Inspecção-Geral do Trabalho (IGT) deveria, ter uma delegação em todas as ilhas e não confinar apenas nas ilhas de Santiago, Sal e São Vicente, razão pela qual os trabalhadores na ilha do Maio estão  a sentir-se “abandonados” e a verem os seus direitos “violados”.

Para a secretária-geral da União Nacional dos Trabalhadores Cabo-verdianos – Central Sindical os decisores deste país não podem “ignorar” uma única ilha, uma vez que  o país é uno e todos tem os mesmos direitos.

Apontou como exemplo, a denúncia que tinha feito aquando da sua última visita a ilha do Maio, em que denunciou a existência de “trabalho escravo” e que deveria ser alvo de uma inspecção por parte das autoridades com responsabilidade neste sector.

“Nós solicitamos as autoridades do trabalho, particularmente a IGT, para que viesse à ilha do Maio e nós disponibilizamos para os acompanhar, mas não vieram e não fizeram o seu trabalho e minimizaram as denúncias que fizemos, mas ficou provado e comprovado nos tribunais que havia trabalho que se assemelha ao trabalho escravo”, salientou.

Aliás, Joaquina Almeida assegurou que da sentença saiu a deliberação de que a entidade empregadora deveria pagar uma indemnização aos trabalhadores em questão, mas a entidade empregadora meteu recurso junto do Tribunal da Relação, pelo que estão a aguardar “com toda a normalidade” a decisão.

Conforme afiançou aquela representante sindical, esta “inércia”, tanto da DGT como da IGT, tem vindo a contribuir para que as entidades empregadoras venham a “violar” e a “abusar” sistematicamente os direitos dos seus trabalhadores, porque “sentem-se senhores e donos da situação”, em praticamente todas as ilhas.

Por isso, defendeu ser necessária a abertura de uma estrutura da DGT em todas ilhas, com vista a se pôr cobro as “várias violações” dos direitos dos trabalhadores que vem acontecendo, praticamente sem que haja intervenção das autoridades com responsabilidade neste sector.

Joaquina Almeida presidiu sábado, uma formação destinada a 20 sócios sindicalizados daquela organização, pelo que disse estar ciente de, agora, tanto os membros como a direcção representativa na ilha estão preparados para levar avante os desafios da defesa dos interesses dos trabalhadores.

A líder sindical disse ainda que durante o dia de hoje, recebeu em audiência alguns trabalhadores do Ministério de Agricultura e Ambiente, que estão a reclamar de algumas situações do passado, bem como os da empresa “Águas e Energias do Maio, que segundo informou, têm vindo a fazer trabalho em turno e nocturno, mas não estão têm direito a uma hora de refeição, preocupações que prometeu levar para junto da empresa para chegada de um entendimento.

Fonte: Inforpress