Maio: PAICV considera “preocupante” a situação como a empresa Águas e Energias do Maio vem laborando

Porto Inglês, 23 Jun (Inforpress) – O coordenador político regional do PAICV (oposição) na ilha considerou “preocupante” a forma como foi criada a empresa Águas e Energias do Maio pela edilidade, bem como a sua operacionalização, apontando falhas sucessivas no abastecimento de água.

Segundo Agostinho Silva , apesar de a edilidade ter “gabado”,  no passado mês de Fevereiro,  de ter feito avultados investimentos no sector da água, com financiamento do projecto WASH, enquadrado no programa MCA, assegurando pelos Governo dos Estados Unidos da América, a situação real é “preocupante”.

De acordo com o coordenador político regional do PAICV na ilha, a edilidade tinha garantido ter conseguido ultrapassar os problemas de fornecimento da água aos munícipes, tanto em quantidade como em qualidade, uma vez que a ilha estaria neste momento com a capacidade de produzir cerca de 800 metros cúbicos diários, não obstante ainda se registar problemas de fornecimento frequente em várias localidades.

“Registamos com apreço, mas há já uma semana que vimos registando na localidade de Morrinho a falta da água, o que tem levado as pessoas a deslocarem-se ao bebedouro dos animais, a fim de obterem água para uso domiciliário, juntamente com cabras e vacas”, denunciou.

Agostinho Silva esclareceu que a mesma situação vem acontecendo também na vila da Calheta, o que tem levado as pessoas a procurarem “este precioso líquido” em outras localidades.

“Perguntamos ainda porquê que a câmara fechou o chafariz da localidade de Morrinho, um bem público que seria uma boa alternativa neste momento, em que a palavra de ordem é lavar as mãos, mas até então não se sabe o porquê dessa medida”, frisou.

Adiantou que a carência da água tem afectado também os moradores do bairro Este da cidade do Porto Inglês, mais concretamente a zona da escola secundária, onde os munícipes têm vindo a reclamar da pouca quantidade que lhes é fornecida durante a semana.

Um outro aspecto, que aquele líder da oposição considerou ser “preocupante”, tem que ver com a leitura das contas dos consumidores que nos últimos tempos tem vindo a ser feita à pelo método  estimativo, denunciando que este modelo beneficia a Câmara e que tem merecido contestação dos munícipes.

“Por isso, aguardamos uma resposta da edilidade sobre este assunto”, disse.

Para o líder do maior partido da oposição na ilha, a criação da empresa Águas e Energias do Maio nasceu de forma “pouco transparente”, visto que, ajuntou, apesar de várias solicitações feitas por parte dos deputados da bancada da oposição na Assembleia Municipal, a edilidade “teme em não apresentar os dados essenciais”.

“Um facto curioso é que não existe acta da constituição da empresa e se o tribunal vier agora a exigir isso não existe e isto é de se lamentar. Sobre a sessão da Assembleia Municipal do mês de Dezembro e da última que se realizou no mês passado também não existe acta, mesmo sabendo que existem pessoas pagas na Assembleia para fazer este trabalho, o que é de se lamentar”, disse.

Agostinho Silva considera também “grave” a situação dos vendedores de água, tanto nos chafarizes como nos bebedouros nas várias localidades, defendendo que os mesmos deveriam ter um salário mínimo, para evitar que eles fiquem “ com a sobra do dinheiro, após o pagamento do montante registado no contador à empresa Águas e Energias do Maio.

Lembrou que ainda decorre no tribunal um processo laboral entre um trabalhador e o antigo Serviço Autónomo de Água e Saneamento e advoga que deveria ser aberta a possibilidade dos maienses também poderem participar na capital social da empresa.

Fonte: Inforpress