Líder do PAICV diz que jovens cabo-verdianos não têm a oportunidade que lhes foi prometida

Cidade da Praia, 26 Out (Inforpress) – A líder do PAICV disse hoje que os jovens “não têm a oportunidade” que lhes foi prometida para estudarem na formação profissional, ensino superior “e até nas escolas secundárias”, apelando à união dos militantes do partido.

“O país não está bem porque a nossa dignidade está a ser rebaixada, assim como a nossa soberania está a ser negociada”, indicou a presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), Janira Hopffer Almada, na abertura do ano político e parlamentar, em que o Salão Nobre da Assembleia Nacional esteve completamente cheio de militantes e simpatizantes do seu partido.

Segundo ela, em declarações à imprensa, a “grande presença” de militantes e simpatizantes do PAICV demonstra, por um lado, a “força do partido” e, por outro, que os cabo-verdianos estão a ver o PAICV como uma “nova esperança para resgatar o país, que seja para todos” em que haja “mais empregos, mais segurança, mais igualdade e melhor acesso à saúde e à educação”.

Para a líder da oposição, o seu partido vê Cabo Verde como um país que “confia nos cabo-verdianos” e que devem ser estes os “protagonistas do desenvolvimento e donos do futuro desta terra que é de todos nós”.

Na sua perspectiva, o país está numa “situação muito complicada” em que não se fez reformas, em que o Governo, afirmou, passou três anos e meio a tomar “medidas avulsas”, ou seja, uma “política de retalho, uma espécie de navegação à vista”.

“Os cabo-verdianos ouvem que o país está a crescer, mas não sentem que a sua vida está a melhorar”, indicou, lamentando o facto de o arquipélago ter caído nos rankings do turismo, “motor da economia nacional” e no Dong Business.

Disse que é possível “resgatar o país”, assim como é possível “governar Cabo Verde melhor”.

Instada a pronunciar-se sobre a mobilização que o seu partido conseguiu fazer para a abertura do ano político e parlamentar, respondeu que isto é “indício de que os cabo-verdianos estão extremamente defraudados com a actual governação” e desejam uma “nova esperança”.

“O PAICV está a trabalhar para merecer a confiança dos cabo-verdianos para que transformemos o país no nosso sonho, na nossa esperança e na razão da nossa luta”, precisou.

Tendo em conta que a abertura deste ano político e parlamentar se realiza num ano pré-eleitoral, Janira Hopffer Almada apelou aos militantes e simpatizantes do seu partido a reforçarem o trabalho de base para que os resultados desejados sejam alcançados nas eleições.

“Pelo seu passado e percurso, o PAICV tem uma responsabilidade grande e com uma visão do futuro”, observou a líder da oposição, que disse acreditar que é possível “governar melhor Cabo Verde e fazer mais”.

“Acreditamos num país em que quem está a liderar é patriota e coloca Cabo Verde acima de tudo e de qualquer interesse”, admitiu.

Conforme notou, o seu partido acredita num país em que é possível fazer com “transparência a gestão da coisa pública”, um país que “acredita na agricultura e aposta no mundo rural, na economia marítima no turismo e como destino de referência”.

Na sua intervenção, não deixou de lado a segurança que, conforme explicou, é um “activo estratégico” para o país.

Afiançou, ainda, que é preciso trabalhar para haver uma “justiça mais justa, mais célere, mais efectiva e ao serviço dos direitos fundamentais dos cidadãos”.

“Somos um país com uma grande diáspora e o PAICV não coloca a política dos transportes nãos mãos do privado, porque defendemos, antes de mais, Cabo Verde e o seu povo”, advogou  Janira Hopffer Almada.

Entretanto, a anteceder a intervenção da líder, o vice-presidente do partido e líder do grupo parlamentar, Rui Semedo, realçou o facto de aquele evento se realizar no parlamento para demonstrar a “importância da casa da democracia”.

“Temos que lutar para que realmente a casa do povo seja, efectivamente, casa do povo”, exortou o presidente da bancada parlamentar do PAICV, que deplorou o chumbo da proposta de lei de transparência por parte dos deputados que suportam o Governo no parlamento.

“Chumbaram a lei da transparência porque há muitas coisas que o Governo não quer que o povo saiba”, argumentou Semedo, apontando como exemplo a “venda disparatada dos bens públicos”.

Fonte: Inforpress