Líder da oposição diz que reajuste governamental “fragiliza ainda mais” a área económica da governação

Cidade da Praia, 09 Jan (Inforpress) – A presidente do PAICV disse hoje que o reajuste governamental anunciado pelo Governo vem “fragilizar ainda mais toda a área económica da governação” e demonstrar “claramente” a perspectiva de continuar a reforçar os poderes de Olavo Correia.

Em declarações à Inforpress e à Rádio de Cabo Verde (RCV), Janira Hopffer Almada disse que tal remodelação trata-se de mais de um reajuste que “no fundo vem fragilizar ainda mais toda a área económica da governação” e demonstrar “claramente” a perspectiva de se continuar a reforçar os poderes do vice-primeiro ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia.

“Na primeira remodelação o ministro da Economia, que era considerado um superministro, perdeu para o ministro das Finanças e vice-primeiro-ministro grande parte das pastas”, afirmou a presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), acrescentando que, num segundo momento, agora, o Ministério da Economia tem uma parte já com o ministro das Finanças, outra parte vai para um novo ministro que vai ser nomeado e uma terceira parte ainda vai para um secretário de Estado “que sobe, entre aspas”, para ministro.

No fundo, entende Janira Almada que o que se está a fazer, “contrariamente a todos os discursos feitos pelo Governo”, é uma “contínua fragilização de toda a área económica da governação” que dá “sinais claros de não estar a conseguir responder”.

“Não é por acaso que nós dizemos claramente que a política económica do Governo tem sido errada (…) porque uma política económica que não qualifica o turismo, que não investe na agricultura, não aposta nas pescas e, sobretudo, não consegue resolver o problema de financiamento do sector privado, que é a grande questão que se tem colocado, não pode ser uma apolítica económica que esteja a ter impacto”, disse.

Os impactos estão, conforme Janira Almada, nos relatórios internacionais.

“Basta ver as posições que Cabo Verde já perdeu no Doing Business, dez posições, quatro no primeiro ano e seis no último relatório. Basta ver o relatório de competitividade do turismo, Cabo Verde perdeu cinco posições no último relatório”, prosseguiu.

Janira Hopffer Almada disse ainda que o País está a “perder competitividade a nível do turismo”, porque o Governo “não tem uma visão clara, estratégica, não faz planeamento e vai tomando medidas avulsas” numa espécie de “política de retalho” e numa “navegação à vista”.

O ministro do Turismo e Transportes e da Economia Marítima, José Gonçalves, pediu para sair do Governo e vai ser substituído pelo actual secretário de Estado, Paulo Veiga, que é promovido ao cargo de ministro.

Para o sector do Turismo e Transportes entra um novo ministro, o economista Carlos Santos.

De acordo com um comunicado do Governo a que a Inforpress teve acesso, José Gonçalves, por razões pessoais, pediu a sua demissão ao primeiro-ministro, José Ulisses Correia e Silva, desde Novembro de 2019.

A mesma fonte adianta que o mesmo vai ser substituído por Paulo Veiga, que passará a assumir a pasta da Economia Marítima, agora na qualidade de ministro, e pelo economista Carlos Santos, que terá sob a sua responsabilidade os sectores do Turismo e Transportes.

A tomada de posse acontece na sexta-feira, 10, pelas 9:00, momento em que também será empossado o novo ministro-Adjunto do primeiro-ministro e da Integração Regional, Rui Figueiredo Soares, como, de resto, já tinha sido anunciado.

Fonte: Inforpress