Levantamento popular em São Filipe: 60 agregados familiares invadem e ocupam apartamentos do empreendimento “Casa para Todos” em Xaguate

A cidade de Sao Filipe do Fogo conheceu hoje um levantamento popular quente. É que 60 agregados familiares de baixa renda resolveram fazer justiça com as suas próprias mãos, ocupando todos os apartamentos do empreendimento “Casa para Todos” no bairro de Xaguate Cima. As habitações em causa encontram-se ainda em fase rudimentar de construção.

Levantamento popular em São Filipe: 60 agregados familiares invadem e ocupam apartamentos do empreendimento “Casa para Todos” em Xaguate
Conforme fontes deste jornal, a situação de desemprego extremo que se vive no concelho gerido pela Càmara de Jorge Nogueira está na origem da tomada de tal decisão pelos populares.

Testemunhos oculares revelam que o momento foi exaltante. É que ainda inacabados e sem condições de habitabilidade, os apartamentos que compõem o empreendimento “Casa para Todos” no bairro de Xaguate Cima, em São Filipe, foram, esta quarta-feira, todos ocupados por 60 famílias de baixa renda. De acordo com a Inforpress, as famílias alegam ter ocupado os espaços porque estão desempregadas e sem recursos para suportar a renda de casa.

“Este espaço estava abandonado há muito tempo e servia de dormitório para muitos animais, sobretudo vacas. Encontramos os espaços sem portas, sem janelas, sem instalações sanitárias, sem ligação de água e de electricidade, mas não nos importamos. O que nos interessa é morar e fugir da renda porque estamos desempregados e não estamos em condições socioeconómicas para suportar as despesas de bens básicos e necessários”, justificam.

Segundo informações apuradas junto da nossa fonte, as primeiras famílias que ocuparam esses apartamentos, já colocaram grades nas portas e janelas e outras ainda, estão a “remediá-las” com blocos e chapas de madeira e de zinco para garantirem um mínimo de segurança.

Resta saber se a moda pega a nível nacional – o atual governo está por vender ou alugar milhares de casas construídas pelo governo de José Maria Neves em todas as ilhas de Cabo Verde, que se encontram abandonas e portas fechadas, mesmo existindo um grande deficit habitacional no país.

Fonte: Asemana