Investidor acusa CMP de lhe “tomar terreno para ‘dar’ a amigos”

Hermenegildo Silva, emigrante e empreendedor, comprou 820 m2 de um terreno na zona marginal de Palmarejo Baixo para construir um hotel, mas a Câmara Municipal decidiu vender uma área à sua frente que lhe corta acesso e vista para o mar. Mesmo com o pedido de embargo feito contra a nova obra, a autarquia continua irredutível, pelo que o emigrante já admite suspender o projecto hoteleiro e regressar à Suiça.

Este conflito já dura há algum tempo, mas a história deste negócio entre a Câmara Municipal da Praia e o emigrante Hermenegildo Silva começou de outra forma, bem mais cordial e amiga. “Comprei esse terreno em 2006. Paguei 5 mil contos para 820 m2 de terreno, com o objectivo de construir ali um hotel de três pisos, com vista para o mar. Essa era a condição e a Câmara não se opôs”, começa por contar ao Santiago Magazine Hermenegildo Silva.

Este emigrante, também conhecido por Frank, revela que, “sem lhe dar qualquer cavaco”, a Câmara Municipal da Praia, na pessoa do seu vereador Rafael Fernandes, decidiu vender “a amigos” parte desse terreno na zona marginal de Palmarejo Baixo que seria de acesso ao mar. “Não faz sentido querer construir um hotel à beira mar, entretanto, sem vista para o mar. E eu o adquiri há 13 anos, com esse propósito. Só que amizades e interesse no lucro pelo lucro fizeram a CMP rasgar o acordo que tinhamos e arranjar mais um terreno para vender e meter dinheiro no bolso, acabando com a vista para o mar numa zona que sabia da construção de um hotel de cara para o oceano”, desabafa, irritado, Hermenegildo Silva.

A propósito, o emigrante denuncia que a autarquia roubou-lhe “parte do seu terreno para entregar ao sr Adriano Borges. Quando comprei esse tereno em 2006 eram 820 m2, mas neste momento, conforme novas medições, são 713 m2”.
Manifestamente desgastado com esta situação, Silva afirma ainda que todas as sessões negociais com o vereador Rafael Fernandes “foram infrutíferas, por clara falta de vontade dele”. “O sr vereador está irredutível e não quer saber das nossas preocupações. Por isso, pedi o embargo da obra em frente ao meu terreno, mas a Câmara não quer acatar de jeito nenhum, num sinal evidente de abuso de poder em defesa de outros interesses. E a cada dia vejo a outra obra a crescer e vir tapar-me a vista do mar. Isto é um abuso”, reclama este emigrante/investidor, que lamenta ter de abandonar o projecto de hotel “pois já não faz sentido”.

A seu ver, muito do que está a acontecer na CMP não é do conhecimento do presidente. “O presidente da cãmara não sabe de muita coisa que se passa na sua edilidade. Os vereadores estão a jogar para beneficiar amigos e a si mesmos”, acusa, reforçando a ideia de que lhe “tomaram um tracto de terreno para ‘dar’ a amigos”.

“Eu estou decepcionado com este tratamento. Nós emigrantes trabalhamos duro lá fora para poder investir na nossa terra e entretanto não nos deixam porque uns são mais amigos e mãos largas que outros”, desabafa, em tom triste, Hermenegildo Silva.

Santiago Magazine queria trazer a versão de Rafael Fernandes. Acontece que o verteador não quer conversas com Santiago Magazine e referiu-o numa reunião na Autoridade Reguladora de Comunicação Social, não dando oportunidade ao jornal de ouvir a sua versão e sequer lhe dirigir palavra. E em mais um caso de desastrosa gestão dos terrenos da Praia é hora de a CMP esclarecer os munícipes sobre a transparência da venda de lotes na capital do país.

Fonte: SantiagoMagazine