“Indícios de má gestão , fraude e corrupção” na base da destituição do Conselho Local da Cruz Vermelha em São Vicente

O presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde, o tenente-coronel Arlindo Carvalho, refuta as acusações do presidente do Conselho Local da Cruz Vermelha em São Vicente. O responsável afirma que a decisão foi uma deliberação do conselho executivo da instituição, baseada em documentos que apontam para alegada má gestão e indícios de suposta corrupção na direcção local.

No sábado, João Paulo da Luz anunciou que o Conselho Local havia sido destituído das suas funções e estava impedido de entrar na sede, em Mindelo. Na altura, o responsável local da Cruz Vermelha disse desconhecer os motivos da medida, que considerou ilegal e contra os estatutos.

Em declarações à Rádio Morabeza, o presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde responde agora que a decisão foi tomada no conselho executivo, perante factos apresentados.

“Perante os factos colocados em cima da mesa, o conselho executivo decidiu por unanimidade suspender a actual direcção, por um lado, e por outro criar uma comissão de gestão que já está a funcionar. Em terceiro lugar, comunicar às autoridades. Foi isto que aconteceu, sendo certo que do ponto de vista da Cruz Vermelha vamos continuar com o processo. Não houve arrombamentos, não houve assaltos, porque não se arromba em casa própria, O senhor João Paulo teve oportunidade de receber a notificação, enviámos o vice-presidente da CVCV , o senhor secretário-geral, que entrou em contacto com ele, que se mostrou indisponível. O secretário-geral deslocou-se mesmo ao hospital para lhe entregar a notificação da decisão do conselho, também não o recebeu”, afirma.

Segundo Arlindo Carvalho, a Cruz Vermelha possui um conjunto de documentos que apontam para alegados crimes graves.

“Estamos a falar em uso abusivo dos bens da Cruz Vermelha para fins pessoais e familiares, esquemas que indiciam fraude, esquemas que indiciam corrupção e estamos a falar em gestão de projectos para fins próprios. Basta dizer que os centros da terceira idade, que funcionam com os recursos da Cruz Vermelha, a 100 por cento, vêm sendo usados para fins próprios. Até os velhos não foram poupados”, indica.

De acordo com o presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde, os alegados ilícitos do ex-responsável local já estão a ser investigados pelas instâncias próprias.

A partir de agora, uma comissão de gestão vai dirigir a Cruz Vermelha de São Vicente, até à realização das eleições locais, que devem acontecer em meados de 2019.

A Rádio Morabeza e o Expresso das Ilhas tentaram ouvir o ex-presidente do Conselho Local da Cruz Vermelha, em São Vicente, para obter uma reacção às declarações de Arlindo Carvalho. João Paulo da Luz não quis fazer qualquer comentário.

Fonte: Expressodasilhas