Independência/45 anos: PAICV diz que crise sanitária deverá servir de impulso ao repensar de novas respostas

Cidade da Praia, 05 Jul (Inforpress) – O líder parlamentar do PAICV (oposição) disse hoje que a actual crise sanitária veio “pôr a nu um conjunto de fragilidades” no País, que devem fazer com que se repense as respostas para um conjunto de problemas.

Rui Semedo discursava na sessão solene da Assembleia Nacional no âmbito das comemorações do 45º aniversário da Independência de Cabo Verde, celebrado hoje, 05 de Julho.

Para este responsável do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) tais fragilidades se manifestam em questões como o acesso ao emprego e a rendimentos, a habitação, a água e as condições de saneamento.
Rui Semedo entende ainda que se deve repensar os investimentos nalguns sectores fundamentais como a saúde, a agricultura, a pesca e pequenas indústrias para reduzir as dependências das pessoas.

“Se durante algum tempo se preocupou com respostas para debelar as dificuldades hoje é cada vez mais evidente que a ambição deve ser muito mais ousada para tirar as pessoas das situações de dificuldade”, defendeu.

Ainda no seu discurso, Rui Semedo considerou que a presente crise gerada pela pandemia da covid-19 deve servir ainda para se “analisar bem o percurso, os erros e as falhas” que se cometeram, as correcções que devem ser introduzidas e as respostas mais adequadas para o novo contexto.

“Uma outra lição que devemos tirar é de como eliminar os desperdícios rentabilizar mais os nossos recursos estratégicos como a localização, o mar, o ambiente, a nossa orografia e outros. Temos que poder fazer um debate sério e descomplexado se a melhor forma de rentabilizar os nossos recursos é aliená-los ou encontrar outras vias de fazê-los render”, acrescentou.

Para Rui Semedo a independência para Cabo Verde era sobretudo uma questão de dignidade porque, mais de que uma luta para acesso às riquezas, era uma luta para a dignificação da mulher e do homem cabo-verdianos que, disse, precisavam se reencontrar na sua própria terra, enfrentando e vencendo as dificuldades impostas por uma “natureza severa”, mas “vencendo e exorcizando os fantasmas da seca” e de “todas as crises”.

“Nestas quatro décadas e meia cumprimos a independência, garantimos a paz e a estabilidade, melhoramos as condições de vida das populações, aumentamos a riqueza nacional, melhoramos as condições sociais das pessoas, designadamente nos domínios da saúde e da educação, aumentamos o nível de conforto das pessoas, infra-estruturamos o País, qualificamos o nível das liberdades individuais, promovemos a democracia e viabilizamos estas ilhas”, frisou.

Não obstante todos estes ganhos enumerados, Rui Semedo entende que o País ainda “não atingiu” o nível que se idealizou e sonhou, “com mais justiça social, menos desigualdades, mais emprego, mais oportunidades para os jovens, mais e melhor educação, mais e melhor saúde”.

“Continuamos a acreditar no país e continuamos a acreditar no sucesso destas ilhas”, finalizou.

Fonte: Inforpress