Ilha do Sal: Universidade cívico-política do PAICV fomenta conversa aberta sobre luta, projecção e pensamentos de Amílcar Cabral

Espargos, 20 Jan (Inforpress) – A universidade cívico-política da região do Sal do PAICV fomentou uma conversa aberta sobre a luta, projecção e pensamentos de Amílcar Cabral, na celebração do Dia dos Heróis Nacionais, assinalado hoje.

O auditório da Academia do Académico do Sal foi o espaço escolhido para acolher o encontro com a comunidade pertencente ao Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), para esta conversa aberta denominada “à conversa sobre Cabral, luta, projecção e pensamento”.

O primeiro-comandante e combatente da liberdade da Pátria, Júlio Carvalho, e o também combatente Francisco Tomar, foram os oradores do dia, contaram a história na primeira pessoa, lembrando Amílcar Cabral e todo o processo de luta para a libertação e independência da Guiné e Cabo Verde, sob um painel moderado por Vanderleia Nascimento, licenciada em Direito, e deputada municipal no Paul, Santo Antão.

Neste encontro marcaram, igualmente, presença algumas associações de guineenses residentes na ilha do Sal, nomeadamente, Bafatá XXI, ARESGUI e ASGUI.

Na sua comunicação em mais um Dia dos Heróis Nacionais, Júlio Carvalho destacou a parte histórica que, conforme sublinhou, continua sendo “fundamental” para transmitir aos mais jovens, e não só, aquilo que foi a luta de libertação e a liderança de Amílcar Cabral na condução desse processo, até à vitória e libertação de Cabo Verde e da Guiné.

Durante a sua explanação, Júlio Carvalho procurou destacar aspectos do pensamento de Amílcar Cabral que, no seu entendimento, “continuam presentes”.

“E serão sempre elementos de inspiração para que possamos, mais facilmente, encontrar os caminhos para o avanço e desenvolvimento, no caso concreto de Cabo Verde”, sublinhou.

“Cabral destacou-se, indiscutivelmente, como um grande pensador conseguindo orientar, desde os primeiros momentos da luta, o caminho que devíamos percorrer sempre com base nos princípios da unidade e dignidade”, relembrou.

Por sua vez, Francisco Tomar pretendeu criar na sua alocução, um contexto onde situa Amílcar Cabral a partir do momento em que sai de Cabo Verde para ir estudar em Portugal, e o ambiente político que, à época, se vivia naquele país europeu e como Amílcar Cabral entrou pelo caminho da política e as consequências disso.

Segundo Francisco Tomar, a celebração da efeméride traz-lhe, a cada ano, “inúmeras recordações”.

“Revivemos o contexto da luta de libertação com muita emoção, orgulho e grandeza. Quando olho para trás, dá-me alguma satisfação pelo caminho percorrido. Houve momentos mais interessantes, mais realizados, houve conquistas definitivas, mas também houve, nestes últimos tempos, muitos retrocessos”, confidenciou.

No final, a plateia desafiou Júlio Carvalho a fazer um registo escrito dessas memórias vividas na primeira pessoa.

Fonte: Inforpress