Ilha do Sal: Operadores turísticos apreensivos quanto à interrupção súbita das operações da Thomas Cook

Alguns operadores turísticos, na ilha do Sal, manifestam-se apreensivos quanto à interrupção súbita das operações da empresa de turismo Thomas Cook, que opera para Cabo Verde, já que é sinónimo de alguma quebra no negócio.

Ilha do Sal: Operadores turísticos apreensivos quanto à interrupção súbita das operações da Thomas Cook
Apesar de não se considerar que as operações da empresa do turismo britânica tenham peso no mercado cabo-verdiano, no Sal, nesse caso concreto, representando, conforme operadores da área citados pela Inforpress, cerca de 7 por cento (%) de turistas no país, alguns operadores dependentes desse mercado dizem, entretanto, que a “situação é preocupante”.

Com exemplo, cita-se o caso do Hotel Da Luz, que trabalha tanto com a Thomas Cook Nórdico como com a Thomas Cook Continental, cujas reservas estão feitas até Março de 2020.

Todavia, conforme a responsável de reserva, Margareth da Luz, inicialmente ficaram apreensivos perante a notícia, mas foram informados que essa suspensão não vai afectar o negócio do hotel que tem garantido reservas à essa clientela, representando 40% de ocupação do empreendimento hoteleiro nesta altura do ano.

Segundo ainda a Inforpress, Margareth da Luz diz, entretanto, que a cautela deverá ser com os clientes da Thomas Cook Continental, que ao darem entrada no hotel deverão ser tomadas devidas providências no sentido da regularização de sua permanência.

“As reservas vão continuar como estão, sendo 10 de clientes da Thomas Cook Continental, e as restantes 30, da Thomas Cook Nórdico. Mas resta aguardar o desenrolar da situação”, disse.

Um outro operador ligado à área hoteleira, que não quis seu nome revelado, considera que não há razão para “alarme nem alarido, porque a interrupção dos voos da Thomas Cook não tem grande impacto no país.

Podendo reduzir um pouco, mas “imediatamente” o mercado poderá reagir, já que os turistas que viajam com a Thomas Cook vão viajar com a TUI ou com outros operadores.

Por outro lado, explica ainda a mesma fonte, que a Thomas Cook é um conglomerado de empresas, e como tal, está dividida em vários países na Europa, nomeadamente Thomas Cook Continental, Thomas Cook Nórdico e a Thomas Cook Grã-Bretanha, este último, onde se deu a falência, daí que o efeito não é considerado expressivo.

Outros operadores menos apreensivos, já que o grosso de turistas vem com a operadora TUI, alertam, contudo, no sentido de se manter o Thomas Cook no mercado cabo-verdiano, caso contrário, referem, tendo o monopólio, a TUI “vai fazer e desfazer”.

Manuel António Sousa Lobo, Patone, dono do Hotel Odjo d’Água, lamenta a suspensão da operação Thomas Cook, muito embora não tenha implicações no seu negócio, conforme disse, por não trabalhar ligado à operadora, mas por esta interrupção poder ter impacto noutros hotéis no país, reduzir o número turistas, embora que “pouco expressivo”.

Para Américo Soares, dono do Restaurante Américo’s, a “situação é preocupante” pelo facto de se vir a registar uma baixa no número de turistas proveniente destes países, e consequentemente no volume do negócio.

“Directa ou indirectamente, a interrupção dos voos da Thomas Cook vai afectar Cabo Verde inteiro, muito embora em menor medida, comparado com outros destinos turísticos”, analisou, acrescentando que há muitos operadores que querem tirar proveito de Cabo Verde, na época alta “mas infelizmente, devido ao monopólio dos grandes operadores, não há quartos”.

“Não podemos estar a depender de um ou dois operadores”, ponderou.

Grupo Chinês interessado na compra de Thomas Cook
Perante a notícia da interrupção súbita das operações da empresa de turismo britânica Thomas Cook, que decretou falência, segundo informações que também a Inforpress dispõe, há um grupo chinês que poderá vir a comprar a Thomas Cook.

A Thomas Cook foi fundada em 1841 em Leicestershire, no Reino Unido, pelo empresário que deu nome à companhia, e era a mais antiga operadora de turismo em atividade do mundo.

A falência coloca 22 mil empregos em risco, sendo 9 mil deles no Reino Unido.

Segundo consta, incerta é também a situação dos cerca de 600 mil turistas dispersos pelo mundo fora que recorreram aos seus serviços e vão agora ter que ser repatriados.