Ilha do Sal: Não podemos dizer que está em curso execução de um plano estratégico visando o desenvolvimento da ilha – Démis Almeida

Espargos, 23 Jan (Inforpress) – Démis Almeida diz que a ilha do Sal não conhece, “propriamente”, um processo de desenvolvimento, antes, objecto de um decurso de crescimento, a viver tempos em que “as coisas vão acontecendo”, pela própria dinâmica da ilha.

Afastado há algum tempo da vida política activa, Démis Almeida, ex-líder da Comissão Política do PAICV, no Sal, que também foi ministro da Presidência do Conselho de Ministros, e tutela do sector da Comunicação Social, na governação de José Maria Neves, fez esta análise quarta-feira, durante uma entrevista à Inforpress.

“Em rigor, não podemos dizer que está em curso a execução de uma ideia estratégica, de um plano estratégico visando o desenvolvimento da ilha. A ideia que eu tenho é que o Sal está a ser objecto de um processo de crescimento que tem a sua dimensão positiva e negativa, mas não está em curso a execução de qualquer plano estratégico visando o desenvolvimento da ilha, sob os mais diversos pontos de vista”, considerou.

Segundo Démis Almeida, a impressão é que se está a viver tempos, em que “as coisas vão acontecendo”, pela própria dinâmica da ilha mas, “não há, infelizmente”, insistiu, uma visão estratégica que coordene, conduza a um desenvolvimento da ilha turística.

Considerando que o Governo deverá ter uma visão de desenvolvimento do país, Démis Almeida reafirmou não observar nenhuma visão central, estratégica voltada para a ilha do Sal, como um todo, nas suas mais diversas dimensões.

“Não vejo isso. Muito pelo contrário, noto um retrocesso na ilha do Sal relativamente à intervenção do Governo, no que toca aos mais diversos domínios. Por exemplo, a nível da saúde, transportes aéreos, a nível da educação nunca estivemos tão mal, a nível de infra-estruturas… não há verdadeiramente crescimento e desenvolvimento económico. E o custo de vida é escandalosamente alto, na ilha do Sal”, descreveu.

Como cidadão deste país e munícipe desta ilha, Démis Almeida insiste que a sua maior preocupação tem a ver com tudo o que já disse, isto é, a “inexistência de um verdadeiro processo de desenvolvimento”, a nível social, económico, ambiental, cultural, entre outras vertentes.

“Isto não existe na ilha do Sal. É preciso dizermos isso com toda a franqueza, há falta de oportunidade para as pessoas de uma forma geral, e para os jovens, em particular”, observou, considerando “uma falácia” entender que o facto de os níveis de desemprego, na ilha, serem tendencialmente mais reduzidos, demonstra que os jovens no Sal têm mais oportunidades.

“Isso é uma falácia absoluta. Padecemos, neste momento, de alguma indignidade laboral na ilha do Sal. É um trabalho que não permite, efectivamente, aos jovens prosperarem na vida. É um trabalho para a sobrevivência do dia-a-dia, para pagar as contas, não permitindo que façam uma poupança, um investimento na sua vida, formação, lazer (… )”, exteriorizou.

“Para além de preocupar-me, particularmente, o facto de não existir um verdadeiro processo de desenvolvimento da ilha, nos seus mais diversos domínios, preocupa-me, também, e muito, que os dirigentes deste país e deste concelho, não demonstrem que estão verdadeiramente empenhados em conceber e executar um projecto de desenvolvimento para a ilha”, manifestou.

“A ideia que fica é que as medidas são tomadas de forma desconjuntada, desarticulada, pontual, esporádica… vão acontecendo ao sabor das circunstâncias e dos oportunismos mais diversos, políticos, sociais, eleitorais, etc. Não há uma verdadeira preocupação de se conceber, implementar uma visão estratégica para o Sal”, concluiu.

Fonte: Inforpress