“Governo não está a promover São Nicolau como destino porque está mais difícil ir e sair dessa ilha” – Janira Hopffer Almada

Cidade da Paria, 01 Abr (Inforpress) – A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) disse hoje à Inforpress, que o Governo não está a promover São Nicolau como destino porque está mais difícil viajar de e para essa ilha.

Janira Hopffer Almada falava à Inforpress a propósito da visita que efectua a partir de hoje àquela ilha, durante a qual priorizará contactos com agricultores, pescadores, empresários, estruturas do seu partido e instituições religiosas, nos dois municípios.

A líder do maior partido da oposição afirmou que o Governo não está a promover São Nicolau porque até agora não avançou com uma medida concreta para resolver os problemas dos transportes marítimos e os dos transportes aéreos de e para São Nicolau.

“Para vir de São Nicolau no dia 03 de Abril é preciso apanhar dois voos e pagar duas passagens aéreas. Uma São Nicolau – Sal e outra Sal-Praia. Portanto, sair de São Nicolau no dia 03 de Abril vai custar um montante elevadíssimo”, criticou Janira Hopffer Almada dando como exemplo a sua viagem.

Conforme realçou, não é mantendo as tarifas aéreas altas que se pode promover os destinos internos e nem dificultando as ligações é que se pode promover os destinos internos e alavancar o turismo de uma ilha como São Nicolau, para poder potenciar o crescimento, gerar empregos e aumentar as oportunidades para as populações.

Entretanto, Janira Hopffer Almada afirmou que vai a São Nicolau com outras questões “prioritárias” em agenda, tais como a agricultura, as pescas, as desigualdades sociais, o combate à pobreza e a vida das pessoas nas comunidades.

Na agricultura, a presidente do maior partido da oposição quer saber para além do Plano de Mitigação da Seca que visão tem o Governo para as comunidades rurais e para o sector do agronegócio e que investimentos foram feitos na infraestruturação hidráulica rural.

A agricultura, na óptica de Janira Hopffer Almada, é um dos sectores estratégicos que pode ser moderna, sustentável e competitiva. Na sua visão, o país tem como “grande desafio” a criação de “uma verdadeira agenda de transformação económica”, alicerçada nos sectores estratégicos do desenvolvimento, para potenciar as ilhas de forma “mais equitativa”, e permitindo oportunidades para os cabo-verdianos lá onde estiverem.

“Nós temos assistido, nesses três anos de mandato do Governo, medidas avulsas e que vão sendo tomadas em função das acções que a sociedade vai fazendo, mas sem uma visão, sem uma estratégia e, sobretudo, sem uma meta e objectivos claramente definidos.

E isso não nos vai fazer alcançar o desenvolvimento no horizonte de 2030”, sentenciou a líder do PAICV, para quem enquanto o Governo “continuar a insistir que tudo está bem e que os cabo-verdianos estão felizes” não se pode dar “a verdadeira satisfação ao povo cabo-verdiano”.

Para Janira Hopffer Almada não se pode falar no desenvolvimento sustentável, como se tem falado, se não se tiver em atenção que é necessário investir na agricultura, no turismo e nas pescas.

Lembrou, no entanto, que o crescimento económico só é importante e inclusivo para o país quando as pessoas sentem que o país está a crescer e que a sua vida está a melhorar, mas tal não tem acontecido.

“Apesar de se propalar um crescimento de 5 por cento (%), as pessoas não viram os seus salários aumentarem, mas viram os custos dos serviços essenciais como água e luz aumentarem. Viram o custo dos bens essenciais como gás e combustível aumentarem e apenas 8 % dos trabalhadores do quadro comum da Fusão Pública é que tiveram uma melhoria salarial de 2,2 %”, acrescentou a mesma fonte, defendo que há necessidade de trabalhar mais e de consolidar sectores estratégicos para que haja um crescimento real e inclusivo para todos.

Fonte: Inforpress