Governação: Entre publicidade enganosa de «caminho certo» e país no rumo errado segundo o povo

O clima que se vive atualmente em Cabo Verde é já de pré-campanha para as autárquicas de 2020. Por isso, o Governo, ao assinalar os três anos da governação sem resultados palpáveis, socorreu-se, conforme os partidos da oposição, de publicidade institucional, paga com dinheiro de todos os cidadãos, para tentar passar uma mensagem alegadamente falsa, com foco no slogan de que «Cabo Verde está no caminho certo». Mas o executivo de Ulisses Correia e Silva esquece que, segundo se pode ouvir nas ruas e a recente sondagem da Afro-sondagem, a maioria dos cabo-verdianos entende que o país vai mal e está num rumo errado.

Governação: Entre publicidade enganosa de «caminho certo» e país no rumo errado segundo o povo
Aliás, como lembram alguns analistas, muitos dos cabo-verdianos – provavelmente a maioria – já não acreditam no atual executivo de Ulisses Correia e Silva. Tudo por falta de resultados palpáveis durante estes três anos da governação, com falhanços sobretudo nas seguintes áreas:

Forma da governação arrogante e sem respeito às críticas da Oposição Democrática, dos sindicatos e das organizações da sociedade civil – Sokols 2017 é uma delas;

Manipulação dos órgãos da comunicação social com publicidades institucionais enganosas e pressão a jornalistas incómodos;
Incumprimento das promessas eleitorais, com destaque para a criação de 9 mil postos de trabalho por ano;

Falta de transparência na alienação/privatização de patrimónios públicos, com destaque para a venda da TACV e o concurso internacional para a concessão da exploração das linhas marítimas inter-ilhas;
Excessiva partidarização da administração pública – chefias de serviços, empresas e institutos públicos entregues aos que se vestem a camisola ventoinha;

População do campo abandonada com agricultores sem água para cultivar e produzir e animais a morrem de fome por falta de pastos. Tudo por causa do falhanço do anunciado Programa de mitigação dos efeitos da seca do governo, cujo ministro arrogante da área não dialoga com os agricultores e criadores de gado;

O anunciado crescimento económico – apontado como o melhor resultado do Governo – que não se traduz na melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos;

O aumento constante dos custos de vida – preços de água, electricidade e combustíveis a subirem todos os dias;

Insegurança greve no país com casos de homicídios, desaparecimento de oito pessoas, violação de menores e violência baseada no género;
Falta de emprego e bolsa de estudos para jovens, entre outros aspectos relativos aos maus resultados da actual governação do MpD.

Como consequência, constata-se que o desemprego aumenta com a destruição de mais de 15 mil postos de trabalho em 2018, a pobreza extrema dispara, a dívida pública também sobe e regista-se ainda um aumento exorbitante dos gastos dos governantes em carros de luxo e viagens. Isto sem contar com a situação social explosiva no campo por causa da seca e ausência de medidas de políticas para se reduzir o impacto negativo do mau ano agrícola na vida dos agricultores e criadores de gado. Por isso, muitos querem emigrar-se, à busca de um vida melhor na Diáspora.

Diante do quadro acima descrito, é natural, segundo analistas atentos, a pressa do Governo, na pessoa do Primeiro-ministro, de estar em ofensiva de lançar obras ilha-a-ilha, já que se aproximam das autárquicas de 2020 – quer evitar um cartão amarelo nessas eleições. Isto além de se socorrer da publicidade institucional para tentar passar uma mensagem positiva da governação de Cabo Verde. Mas neste particular, reforçando as críticas do PAICV e doutros partidos da oposição, o Chefe de Estado cabo-verdiano classifica de desnecessárias, inadequadas e desproporcionadas em relação aquilo que é legítimo em matéria de direito de comunicação as mensagens que o Governo vem passando nos órgãos de comunicação social do Estado (TCV, RCV) sobre os três anos de governação do país pelo MpD. Vamos esperar pelos novos desenvolvimentos. Os partidos da oposição que se cuidem!

Fonte: Asemana