Governação: De decepção em 2018 para desesperança em 2019

Entramos em 2019 com desesperança, face a um 2018 que foi uma grande decepção para a maioria dos cabo-verdianos. O Governo de Ulisses Correia está, segundo alguns analistas, de rastos em termos de credibilidade junto dos eleitores, na sequência do fraco resultado da governação e do não cumprimentos das promessas feitas durante a campanha eleitoral de 2016.

Governação: De decepção em 2018 para desesperança em 2019
O balanço da governação durante o ano findo foi claramente negativo, conforme se pode depreender junto dos cidadãos de vários quadrantes políticos, mesmo por parte de muitos que se assumem ou foram apoiantes do MpD. Para observadores atentos, não se registou obras estruturantes realizadas em 2018 pelo atual Executivo de Ulisses Correia e Silva, que contínua com um discurso, no estilo de disco riscado, a tentar justificar o seu fraco desempenho com a governação anterior.

A par disso, registou-se uma situação de seca durante o ano findo, que vai prosseguir em 2019 – teve forte impacto no campo com a redução da agricultura de regadio e morte de animais por falta de água e pastos suficientes, apesar de muitos recursos mobilizados junto da cooperação internacional. Por isso, reina uma desesperança entre os nacionais quanto às perspectivas para o novo ano.

E a credibilidade do atual governo do MpD está de rastos – já pouca gente, salvo dirigentes e apoiantes fanáticos, acredita piamente no Primeiro-ministro e seu Governo. Tudo por causa das promessas não cumpridas e dos fracos resultados da governação. As várias manifestações de protestos que têm surgido um pouco por todo o país, com destaque em São Vicente e Chá das Caldeiras do Fogo, foram sinais que evidenciam de que as coisas não vão bem em termos da governação do país.

É que salvo o aumento da pensão social e de salários de funcionários não de quadro comum da função pública e pequena redução de impostos no início deste ano, mais aconteceram medidas impopulares. São os casos da falta da transparência na privatização da TACV, da suspensão dos voos da mesma companhia de e para Mindelo, a isenção de vistos de entrada a Cabo Verde de cidadãos de 32 países da UE, a introdução da Taxa de Segurança Aeroportuária que prejudica sobretudo emigrantes cabo-verdianos, o polémico acordo de Defesa e Segurança (SOFA) assinado com os EUA, entre outras.

Ou seja, se o Governo de Ulisses Correia e Silva, que já entrou em três anos de mandato, não mudar de rumo, ninguém sabe onde vai parar o país, cujos principais índices de desenvolvimento estão a regredir em várias áreas. Para já, está ficar um pouco tarde a possibilidade uma eventual remodelação governamental, como se admite entre dirigentes do MpD. Fica este alerta, também dirigido aos partidos da oposição, principalmente o PAICV e a UCID, que necessitam de consertação periódica para a produção de medidas de políticas alternativas para o País.

Fonte: Asemana