Fogo: Falta de diálogo contribuiu para o incumprimento do projecto “Ecoturismo na piscina natural de Salinas” – CPR PAICV

São Filipe, 01 Jul (Inforpress) – A falta de diálogo poderá ter contribuído para que os objectivos do projecto “Ecoturismo na piscina natural de Salinas”, não tenham sido cumpridos até este momento passados seis anos do seu financiamento, considera CPR do PAICV no Fogo.

O posicionamento foi defendido hoje pela Comissão Política Regional do Fogo do PAICV, em conferencia de imprensa realizada na estância balnear de Salinas para avaliar a evolução das obras e sobre a situação socioeconómica actual do município de São Filipe.

Em nome da Comissão Política Regional, Eugénio Veiga, que é também vereador da Câmara Municipal de São Filipe, disse que o projecto de Salinas com financiamento de 500 mil euros, devia ter ficado concluído há pelo menos três anos e já passaram seis e ainda não tem uma data para a sua conclusão.

“Houve conflito evitável e desnecessário com operadores económicos, demolindo construções de terceiros”, disse o porta-voz da CPR do PAICV indicando que as acções realizadas não justificam o montante de quase 14 mil contos anunciados recentemente.

Para a Comissão Política Regional do PAICV, o projecto de Salinas é um exemplo típico de que a cooperação descentralizada poderá não estar a ser devidamente utilizada e as respostas iniciais deste projecto não se apresentam.

Segundo o porta-voz, o projecto inicial deixava entender que seria um espaço apreciável com área verde, espaço para acomodação com responsabilidade dos pescadores e que aumentaria o grau de atractividade turística, mas neste momento o que se está a verificar é a degradação crescente do meio ambiente com inclusão de betão e a transformação do ambiente natural de Salinas num ambiente totalmente descaracterizado.

Para a Comissão Política, a escolha do projecto terá sido boa, mas na concretização da execução tem registado falhas, esperando que haja correcção para minimizar o impacto no ambiente.

Os espaços, na óptica do PAICV, são exíguos e insuficientes para tantos pescadores, observando que foram construídos 29 abrigos quando o porto de Salinas conta com mais de 40 pescadores, o que, segundo a Comissão Política Regional, significa que o mesmo espaço que para um único pescador é exíguo e para dois ou três poderá ser mais uma matéria de conflitos do que de resolução.

O projecto “Ecoturismo na piscina natural de Salinas” está orçado em 476.666 euros (52.400 contos cabo-verdianos) foi financiado em 75 por cento (%) pela União Europeia, e tem como objectivo global a diversificação da oferta turística do Fogo.

O mesmo visa requalificar as infra-estruturas de apoio da piscina natural de Salinas para a dinamização turística e ambiental, procurando, em simultâneo, capacitar a comunidade para a dinamização económica e para a preservação ambiental deste património natural.

Este projecto enquadra-se no âmbito de projectos financiados pela UE, denominado “preservação e melhoria do património social, cultural e ambiental como factor de diversificação e desenvolvimento do turismo sustentável e solidário em Cabo Verde”.

Salinas é uma baía que abriga um pequeno porto de pesca e uma piscina natural desenhada pela rocha vulcânica e uma das principais referências turísticas da ilha do Fogo.

Fonte: Inforpress