Federação das Mulheres do PAICV de São Miguel pede influência do PR na mobilização de recursos

Cidade da Praia, 30 Mar (Inforpress) – A Federação das Mulheres do PAICV de São Miguel pediu hoje ao Presidente da República que exerça a sua magistratura de influência, para ajudar as mulheres deste concelho, afectadas pela crise económica, na mobilização de recursos.

Após uma visita efectuada hoje ao Palácio Presidencial, o grupo de mulheres pertencentes à Federação das Mulheres do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) de São Miguel manteve um encontro com o Chefe de Estado, no qual estiveram a relatar os problemas de que deparam no seu dia-a-dia.

Na voz da sua coordenadora, Suzete Barbosa, explicou que esta visita se enquadra no mês de Março, mês da Mulher, em que a Federação resolveu tirar essas mulheres que estão sempre em casa, a visitarem a Presidência, para uma conversa com José Maria Neves.

Segundo afirmou, são mulheres que enfrentam todos os problemas que as demais mulheres rurais, que aumentaram em consequência das sucessivas secas, por falta de chuvas, mau ano agrícola, a pandemia e agora com a guerra na europa.

“Tendo em conta o contexto actual difícil, apesar de sabermos que o Presidente da República não é governo para executar, mas gostaríamos de contar com o poder da sua influência para fazer chegar onde deve chegar, as suas preocupações, sobretudo para que haja mais empoderamento das mulheres”, sublinhou.

Por seu lado, o Presidente da República considerou que o país se depara com muitos desafios, sobretudo no que diz respeito às mulheres cabo-verdianas, como a pobreza, a desigualdade, muitas formas de discriminação e exclusão social, a violência baseada no género, e a violência sexual.

Neste sentido, defendeu que é preciso essencialmente empoderar as comunidades e as mulheres para se ter efectivamente um desenvolvimento sustentável.

“E é nesta linha, não colocando o foco no Estado, mas sim, na sociedade, no cidadão, para que possamos acelerar passos, mudar as mentalidades, reduzir a ideia de assistencialismo e trabalhar para que todo o cidadão e a sociedade tenham poder para que possamos sustentar a nossa dinâmica de desenvolvimento e resolver o problema das pessoas”, reforçou.

Indicou ainda que é preciso mobilizar mais água, apoiar mulheres na unidade de produção, reduzir custos de factores de produção, de modo que as mulheres tenham acesso a créditos, a formação profissional e a educação em geral, para terem ferramentas que as permitem ultrapassarem as suas dificuldades.

“Já se fez muito, mas ainda temos muitos desafios pela frente, basta visitar as ribeiras, ver os efeitos da seca e da pandemia, de aumento generalizado de preços para vermos os desafios que temos pela frente”, disse.

Entretanto, classificou as mulheres cabo-verdianas como sendo muito resilientes e que “só resistem graças às suas capacidades de resiliência”.

ET/ZS

Fonte: Inforpress