Fazendo balanço da sua deslocação à Alemanha, a Presidente do PAICV defende que Cabo Verde tem de aproveitar as parcerias para vencer desafios e consolidar a democracia

A Presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Janira Hopffer Almada, cumpriu uma missão de 4 (quatro) dias à Alemanha, onde pode se encontrar com diversas personalidades do Parlamento Alemão, do SPD e da Fundação Friedrich Ebert.

Com efeito, o objetivo geral da Missão liderada por JHA, e integrada pelo Vice-Presidente do Partido, Nuias Silva, pela Secretária para as Relações Externas, Vera Almeida e pelo Presidente do Instituto para a Democracia e o Progresso (IDP), João Pereira Silva, era conhecer iniciativas daquele País que apostam na economia em África, com novos programas e uma boa parceria, considerando que o Continente Africano está no centro da agenda global desde 2017.

O interesse da Presidente do PAICV se centrou, muito, na Iniciativa “Pacto com África” que é planejada para logo prazo e está aberta a todos os Países Africanos que trabalham sustentavelmente numa melhoria das condições básicas para os investimentos privados.

Esta iniciativa já despertou interesse em muitos Países – em especial na Costa do Marfim, Marrocos, Ruanda, Senegal e Tunísia – que já participaram do Encontro dos ministros de Finanças e Presidentes de Bancos Centrais do G20 e forma o chamado “C-5”, o primeiro grupo dos “Compact Countries”.

Em 2017, e na sequência da assunção do Pacto com África, pelo G20, o Ministério Federal de Cooperação Económica e Desenvolvimento apresentou também o seu documento com as diretrizes para um “Plano Marshall com a África”.

Ao invés de um plano de financiamento económico, esse Plano Marshall é, sobretudo, um plano de mobilização económica, que simboliza um novo tipo de cooperação com a África (abandonando o esquema tradicional de doador-recebedor).

Para JHA, esta pode ser uma iniciativa muito interessante para Cabo Verde e que pode nos ajudar a ultrapassar alguns desafios emergentes, “porque o que Cabo Verde precisa é de uma cooperação económica em nível de igualdade, uma cooperação baseada no interesse e na vontade mútuas”.
Essa iniciativa, no montante inicial de 300 milhões de euros, preconiza estimular investimentos da economia privada que deverão criar empregos e criar perspectivas que combatam, a longo prazo, as causas do êxodo.

E, através do comércio justo, entre os países Africanos e Europeus, se pretende garantir:
• O fluxo reforçado de investimentos da Europa, que também beneficia as Empresas alemãs;
• A geração de empregos;
• O combate à pobreza.

Nessa perspectiva, e levando em consideração toda a cadeia de valor, a produção é aumentada, o beneficiamento melhorado, a comercialização profissionalizada e a exportação, em consequência, cresce.

Com efeito, a população africana duplicará até 2050, com previsão para mais de 2,4 biliões de pessoas.

Os empregos só serão gerados de forma duradoura pela economia privada.
Portanto, África precisa de menos subvenções e mais investimentos privados.

Mas, para isso, temos de:
• Criar um clima seguro e atraente para investimentos
• Combater a corrupção
• Sustar fluxos financeiros ilegais
• Convencer com uma boa governança

II – PARTIDO

A visita, a nível político – partidário, permitiu a partilha de informações e de experiência, serviu para incrementar e reforçar os laços de cooperação com o SPD – Partido com 154 anos de existência e um dos que compõem a coalizão com a União Democrata-Cristã (CDU), liderada pela Chanceler Angela Merkel – e reforçar as relações do IDP com a Fundação Friedrich Ebert.
Um dos pontos fundamentais das relações de cooperação entre estas Instituições terá a ver com a formação política de quadros, com o objetivo de se conseguir aprofundar e qualificar a democracia.
“A democracia precisa de democratas”, dizia Friedrich Ebert.
Mais do que constatarmos na prática, como constatamos, a necessidade de consolidar a democracia, é preciso trabalhar permanentemente para isso, apostando na qualificação e no debate de questões que tenham a ver com o futuro do país.
O País deve ter esse objetivo.
Os Partidos Políticos devem contribuir para isso.

Praia, 27 de Novembro de 2018