“É chegado o momento de passarmos da gestão das crises à preparação para as secas” – Janira Hopffer Almada

Cidade da Praia 28 Out (Inforpress) – A presidente PAICV disse hoje no parlamento que o Governo deve rever as políticas nacionais em matéria de luta contra seca, salientando que é momento de passar da gestão das crises para a preparação para a seca.

Janira Hoppfer Almada falava na introdução do debate parlamentar mensal com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, tendo como tema mudanças climáticas e choques externos.

A líder do principal partido da oposição salientou que o país acaba de enfrentar dois anos consecutivos de seca, com risco da segurança alimentar, em particular no mundo rural, dada a drástica redução da agricultura de sequeiro e da produção agro-pecuária.

Uma situação que, conforme frisou, vem acompanhada da “redução contínua” da agricultura de regadio, sem que o Governo tenha conseguido acudir às famílias cabo-verdianas.

“A verdade, senhor primeiro-ministro, é que as Nações Unidas já disseram que, em 2018, 13% da população cabo-verdiana foi afectada pela fome e o Governo ignora essa realidade e se desdobra em contra-informações”, disse.

Por isso mesmo, defendeu que é necessário rever as políticas nacionais em matéria de luta contra a seca e o regime que o executivo tem seguido para mitigar os impactos correspondentes, que na sua perspectiva, não têm dado resultados.

“É chegado o momento de passarmos da gestão das crises à preparação para as secas, introduzindo mudanças que reforcem a capacidade de resiliência e de adaptação das populações às situações futuras”, sustentou.

“Isto quer dizer que, no contexto das mudanças climáticas, em que as secas ameaçam ser mais generalizadas, mais intensas e mais frequentes, Cabo Verde, na sua condição de país de rendimento médio, deverá passar a contar mais com os seus próprios recursos, para fazer face aos riscos”, acrescentou.

Neste sentido questionou o que é que Governo o está a fazer para aumentar essa resiliência, para garantir que Cabo Verde conte com os seus próprios recursos e não tenha que pedir apoios à Comunidade Internacional, quando gasta só em viagens mais de 600 mil contos, e como está a trabalhar para garantir a sustentabilidade ambiental.

“Para o PAICV é preciso agir, de facto, e é preciso agir em tempo”, disse, salientando que para o seu partido “é preciso e é possível fazer mais e fazer melhor”.

Contudo, sustentou a líder do principal partido da oposição, para tal é preciso assumir um projecto de sociedade que volte a colocar as pessoas no centro das atenções, que coloque a realização do bem comum como a razão de ser da política e da existência do Estado.

Salientou ainda que como um Pequeno Estado Insular que que fazer face às mudanças climáticas e ambiciona o desenvolvimento sustentável, o Governo de Ulisses Correia e Silva tem de ter em conta que o  país, “ecologicamente frágil e de parcos recursos naturais”, deve reforçar as orientações estratégicas de aproveitamento e exploração sustentável dos recursos naturais, a favor do desenvolvimento das actividades económicas.

“E, para isso, são precisas medidas de conservação de recursos naturais (numa perspectiva de optimização) e reformas institucionais, para melhorar a nossa capacidade de resposta. Mas, também é preciso assegurar o acesso à água e ao saneamento”, anotou.

Janira Hoppfer Almada finalizou afirmando que o para conseguir o desenvolvimento sustentável as mudanças climáticas têm de ser incluídas na agenda e não apenas nos discursos.

Fonte: Inforpress