Doentes renais expõem problemas do tratamento da doença ao PAICV e exigem “medicina mais humanizada”

Cidade da Praia, 26 Out (Inforpress) – A Associação dos Doentes Renais (ADR) em Cabo Verde reuniu-se hoje com os deputados do PAICV para expor os problemas que dizem têm contribuído para a “decadência da qualidade de vida” e exigir uma medicina mais “humanizada”.

Segundo o presidente da ADR, Filomeno Rodrigues, em declarações à imprensa o problema não é com a infra-estrutura, que considera ser boa, mas com a situação de falta de medicamentos, condições climáticas ideais para sessões de hemodiálise e redução do pessoal que trabalha no centro e que está formado para atender este sector.

“São questões muito pertinentes e que gostaríamos que alguém não explicasse tudo, pois, apesar de algumas reivindicações damos conta que ninguém responde aos nossos apelos. Além disso, existe a situação com o pessoal evacuado das ilhas do Norte e cuja assistência é deficitária no que respeita a questão medicamentosa e alimentícia”, disse.

Conforme Filomeno Rodrigues, as seguradoras e assistência social do país não tem tomado em divida conta a situação por que passam doentes da hemodiálise e que muitas das vezes, além das dificuldades da doença, morrem e são enterrados na Praia sem que os familiares dêem ao luxo de acompanhar os seus entes queridos.

Associação explica, sentiu necessidade de solicitar este encontro para que o tema possa ser questionado na Assembleia, mas também porque devido a fraca possibilidade de alimentar-se a maior parte dos doentes de hemodiálise do Centro de Diálise do Hospital da Praia estão com problema de anemia.

“Isso porque de forma sistemática tem estado a faltar, no centro, ferro e o epoco que são medicamentos fundamentais para que esteja no tratamento de diálise. Nós reivindicamos uma medicina humanizada e o bem-estar dos doentes deve ser preservado”, acrescentou culpabilizando o governo e Ministério de Saúde por esta situação.

Filomeno Rodrigues culpabiliza ainda o INPS e o Hospital Dr. Agostinho Neto por toda a situação e afirma que o director do hospital da Praia está-se a desresponsabilizar-se da situação ao afiançar que “o Centro de Diálise não é da responsabilidade do hospital”.

Face a esta resposta do PCA do Hospital Dr. Agostinho Neto, Filomeno Rodrigues questiona sobre de quem é a responsabilidade do centro tratando-se este de um centro nacional agregado ao hospital da Praia.

“Penso que em Cabo Verde o que está a vingar é que doente morto é mais barato, mas nós doentes não vamos admitir isso, vamos gritar até que nos oiçam e alguém tome medidas”, declarou, sublinhando que outro lado, que não vão permitir que a lógica do “doente morto seja mais barato” se materialize.

Na Cidade da Praia, segundo o representante da direcção da associação existem 158 pacientes que fazem hemodiálise, sendo que 40 por cento são doentes do barlavento que além de medicamento necessitam de conforto familiar para poder ajudar no tratamento.

Os doentes que lutam contra a insuficiência renal, segundo disse, estão cansados de não ter respostas pelo que decidirem ir falar com os partidos políticos para que as suas vozes sejam ouvidas no Governo e parlamento.

Fonte: Inforpress