CPRSS SE POSICIONA CONTRA A RETIRADA DE VOOS INTERNACIONAIS DA CVA A PARTIR DA PRAIA

A transportadora aérea Cabo Verde Airlines (CVA) terminou com o voo directo entre Praia e Lisboa.

O PAICV, na Região de Santiago Sul, não concorda com esta medida porque não serve os interesses dos passageiros desta Região que têm necessidade de viajar para o exterior. Não serve os passageiros de Praia, não serve os passageiros de São Domingos, não serve os passageiros de Ribeira Grande, nem dos restantes concelhos da ilha de Santiago (a ilha com maior peso demográfico e económico do país).

E não serve porque:

• Vai implicar mais custo com passagens, porque as pessoas têm de comprar bilhetes Praia-Sal e Sal-Lisboa e vice-versa;
• As viagens vão ficar mais complicadas, com aumento de transtornos e inconvenientes associados a horas de espera, pernoita e transbordo de cargas;
• Dificulta as exportações e afecta o turismo e terá implicações na competitividade regional, pois é sabido que no plano de negócios chegar mais depressa e com preço competitivo é factor de sucesso.

Face a medida, consideramos que se trata de um retrocesso de décadas em termos das condições do transporte aéreo nesta região e estamos perante uma machadada no processo de desenvolvimento de Santiago, num caminho de desconstrução de Santiago, que vem sendo operado por esta maioria.

Para além daquilo que é o hub, tem de se prever a existência de voos directos para os destinos mais importantes para os passageiros com origem e destino em Cabo Verde, como é o caso da Praia e São Vicente.

Num país como Cabo Verde questões estratégicas associadas a política de transporte deve ser assumida pelo Governo e deve ter como objectivo central servir as pessoas, facilitando a sua vida e suas actividades, porquanto o Governo deve servir para defender o interesse público. Mas lamentavelmente a maioria lava as suas mãos adentro de uma perspectiva de deixar serviços essenciais serem capturados pela lógica do mercado, desprezando o princípio da comunidade, a razoabilidade e a solidariedade social.

Desde a primeira hora o PAICV chamou a atenção para isso e mostrou a sua preocupação com o rumo em que o processo de privatização da TACV tomou e com todo o quadro de negociações associadas, em que a companhia foi entregue fiado a preço de rifa e manchada pela confidencialidade, o que é inaceitável quando se fala da necessária transparência em negócios públicos. Aliás, a venda dos TACV foi condenada pelos cabo-verdianos.

Questionamos também o silêncio do Presidente da Câmara Municipal da Praia e dos restantes municípios da região em relação a esta medida. Os presidentes de câmara têm-se mantido mudos e calados. Será que concordam com esta medida lesiva aos interesses da população com aval da actual maioria?

Por tudo isso, o PAICV, na Região de Santiago Sul, exorta o Governo a intervir, enquanto sua obrigação pública, para que se corrija essa situação.

Carlos Tavares – Presidente da Comissão Politica Regional de Santiago Sul do PAICV.

Fonte: PAICV