Coronavírus: Estudantes cabo-verdianos em Wuhan estão aflitos e sentem-se abandonados

Numa carta dirigida à embaixadora de Cabo Verde na China, Tânia Romualdo, a que o A NAÇÃO teve acesso, os 13 estudantes apelam a um plano de evacuação e dizem-se aflitos, com sentimento de abandono por parte das autoridades cabo-verdianas.

Coronavírus: Estudantes cabo-verdianos em Wuhan estão aflitos e sentem-se abandonados
São cerca de 13 os estudantes cabo-verdianos que estão na cidade de Wuhan, na China, onde se concentra precisamente o foco do Coronavírus que já matou 56 pessoas.

Numa carta dirigida à embaixadora de Cabo Verde na República Popular da China, Tânia Romualdo, a que o A NAÇÃO teve acesso, os 13 estudantes apelam a um plano de evacuação e dizem-se aflitos, com sentimento de abandono por parte das autoridades cabo-verdianas.

“Nós, os estudantes Cabo-verdianos residentes em Wuhan, China, centro da epidemia
do Coronavírus (2019-nCov), preocupados com a situação crítica em que se vive nesta cidade,
gostaríamos de saber qual o plano de emergência elaborado pela Embaixada para apoiar os
estudantes Cabo-verdianos residentes em Wuhan”, lê-se na carta com data de 26 de Janeiro.

Os 13 estudantes escrevem ainda que a situação deverá agravar-se nos próximos dias, pois, “a cidade conta já com escassez de materiais de prevenção como máscaras, luvas, desinfectantes entre outros”.

Os alunos alertam ainda que “mesmo seguindo as medidas de precaução e isolamento sugeridas pelas autoridades, determinadas acções como deslocar-se a estabelecimentos com o intuito de adquirir bens básicos essenciais são inevitáveis; há um assustador aumento diário de novos casos” e que “os hospitais pertencentes às universidades estão também cheios, recusando-se por vezes a tratar novos pacientes”.

“A sobrelotação dos hospitais designados à despistagem do vírus contribui para o tempo de espera nos mesmos, elevando exponencialmente o risco de contágio”, advertem, destacando que o facto “de ainda não existir qualquer medicamento para tratamento desta infeção mortal”.

“Tendo conhecimento de que já se assiste à iniciativa de várias embaixadas, tais como
Estados Unidos da América, França, Austrália, Portugal, Sri Lanka em prestar apoio aos seus
cidadãos, como por exemplo evacuação para outras cidades onde a situação é menos crítica” os estudantes aguardam assim por um plano de evacuação “cientes de que este tema deverá ser tratado com maior urgência possível”.

Situação está a ser acompanhada por Embaixada

Citado pela Inforpress, o presidente da república de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, disse ontem,25, que falou com a embaixadora Tânia Romualdo ao telefone e garantiu que a situação está a ser acompanhada pela embaixada, não havendo notícia até ao momento de qualquer caso que afete a comunidade cabo-verdiana.

“Mas é preciso estar atento e seguir escrupulosamente as indicações das autoridades sanitárias”, afirmou Jorge Carlos Fonseca.

Ainda segundo essa agência de notícias, na quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Filipe Tavares, afirmou que a embaixada de Cabo Verde na China está a aconselhar os seus estudantes a ficar em casa e a evitar viagens, por causa do risco de transmissão do coronavírus.

“Estamos a passar informação através da embaixada aos estudantes, para ficarem em casa, para evitarem viagens da região onde estão para outras regiões chinesas, mas também viagens internacionais”, disse.

Sabe-se agora, avaliar pelo conteúdo da carta dos estudantes cabo-verdianos, em Wuhan, que os mesmos querem um plano de evacuação de emergência, estando aflitos tendo em conta a escassez cada vez maior de bens e até de materiais de prevenção.

Fonte: ANaçao