Comunidade de Pascoal Alves lança SOS: População passa fome perante silêncio das autoridades centrais e municipais

Explosiva é como se carateriza a situação socioeconómica por que passa a comunidade de Pascoal Alves do Planalto Norte do Concelho do Porto Novo de Santo Antão. Numa nova alerta às autoridades centrais e municipais, os residentes lançam um SOS, voltando a procurar a comunicação social para denunciarem que estão a passar fome por causa dos dois anos consecutivos de seca que assolam sobremaneira aquele povoado – por falta de água cessam rendimentos através da agricultura e criação de animais que estão a morrer por falta de pastos ou a serem vendidos ao desbarato. Diante da gravidade da situação, vozes críticas no concelho alertam que o país e a comunidade internacional precisam de solidarizar-se, com apoios urgentes em víveres e projectos geradores de rendimentos, com os moradores da referida zona rural da Ilha das Montanhas.

Comunidade de Pascoal Alves lança SOS: População passa fome perante silêncio das autoridades centrais e municipais
«As famílias dizem estar a passar fome e sede, para além de não terem a garantia de um dia de trabalho para lhes ajudarem a enfrentar a seca. Mas que mesmo assim, não têm uma outra alternativa ao não ser continuar em Pascoal Alves, uma vez que não possuem a garantia de um emprego ou de qualquer apoio para a construção de uma habitação num outro lugar», descreve a líder concelhia da oposição, Elisa Pinheiro, que integrou uma missão dos eleitos municipais do seu partido que visitou o citado povoado.

Segundo um dos elementos da associação representativa da zona, esta não é a primeira vez que os representes dessa localidade recorrem à comunicação social para exporem a difícil situação que estão a atravessar. «Relembramos que para além de várias outras tentativas, no passado mês de Novembro o representante da referida comunidade (ver link de noticias relacionadas na roda-pé desta peça) já teria implorado o auxílio das autoridades no sentido de acudirem as poucas famílias que ainda resistem à seca, que severamente vem castigando essa comunidade que está encravada nos confins do Planalto Norte».

Comunidade isolada e sem meios de sobrevivência
Conforme a mesma fonte, Pascoal Alves é uma comunidade completamente isolada, que vive às escuras (sem iluminação pública ou privada), sem telefone ou acesso a qualquer meio de comunicação social, com um USB-Unidade Sanitária de Base desprovida de medicamentos ou quaisquer condições para acudir um doente ou um acidentado.

« As famílias dizem não ter sequer 15$00 para comprarem uma lata de água para o consumo doméstico ou para os animais. E rotineiramente, abandonem as suas casas às 6h00 da manhã, para caminharem quilómetros de caminhos árduos em direção a um poço de água salobra existente nas proximidades do mar, e regressam apenas por volta das 14h30mn com a pouca água que conseguem transportar», descreve a fonte do Asemanaonline.

Entretanto, após vários pedidos dirigidos à Câmara Municipal por parte de dirigentes e Deputados Municipais do Partido na oposição, que ficaram sensibilizados com a situação extremamente difícil que essas família vêm enfrentando, o único apoio que o Edil Aníbal Fonseca conseguiu oferecer a essas pobres famílias, foi baixar 5$00 em cada lata de água.

A fonte deste jornal destaca que a Câmara Municipal do Porto Novo também concedeu alguns dias de trabalho para a limpeza dos caminhos, durante o passado mês de Fevereiro, que ainda não foram pagos e que beneficiaram apenas algumas pessoas – são postos de trabalhos precários que foram abertos, apenas depois de terem tido conhecimento dos apelos na comunicação social.

Abandono da comunidade e encerramento dos trabalhos
«As famílias dizem, no entanto, sentir-se completamente abandonadas pelas autoridades locais, e suplicam encarecidamente que sejam criados postos de trabalhos duradouros e com um salário que que lhes ajudem pelo menos a dar respostas às suas primeiras necessidades, ou então, a atribuição de um subsídio durante este período de seca», acrescenta a informante referida.

Esta relembra que a frente de trabalho, que foi aberta, terminou de forma repentina, sem qualquer aviso prévio aos trabalhadores. Além disso, critica que a Câmara Municipal demora sempre muito tempo para pagar os respetivos salários, que são de cerca de 6.000$00 por mês, que está abaixo do salário mínimo nacional – total pagar para um mês a todos os trabalhadores nessa comunidade nunca chega aos cem mil escudos. « Até esses beneficiários desses 6.000$00 mensais, têm de escolher entre alimentar as suas próprias cabeças ou comprar ração e água para os seus animais.

Os poucos criadores que têm os seus animais manifestados e que por isso foram contemplados com algum vale-cheque em 2018, nunca conseguiram usufruir das mesmas por falta de condições financeiras para acrescentar a restante percentagem então exigida na compra de um saco de ração».

Conforme testemunhas oculares, animais continuam a ser vendidos ao desbarato e muitos deles saem para tentar encontrar alguma coisa de comer e nunca mais regressam ao curral por estarem a padecer de tanta fraqueza.

Audiência sem solução e longa caminhada
Ou seja, sem trabalho não há como esses criadores de Pascoal Alves podem comprar água ou ração para sustentarem os seus animais, que já nem leites conseguem dar.

«Muitas das famílias concluem dizendo, que a situação é ainda mais grave, quando o Delegado Municipal nunca aparece na comunidade e para tentarem uma audiência com o Presidente da Câmara, Aníbal Fonseca, que normalmente demora cerca de 1 ano, têm de vender algum animal, para custearem as despesas de transporte. E quando são atendidas regressam à casa de mãos a abanar, sem qualquer solução.

Dizem ainda, terem desistido de procurar a Câmara porque é sempre uma ‘massada’ conseguir uma audiência com o Edil Aníbal Fonseca», testemunha a fonte que vimo citando que procurou este jornal para lançar mais um SOS a propósito da situação difícil que se vive no povoado de Pascoal Alves.

É que salientar que, para além do caminho que é percorrido de carro, quem quer ir e regressar à referida zona, tem de caminhar ainda cerca de 4 horas a pé, em passos largos e em caminhos vicinais esculpidos nas rochas, cujos acessos são bastantes íngremes. «Neste momento, a paisagem local apresenta-se totalmente seca e não se vislumbra a presença de qualquer espécie de vegetação», descreve a fonte deste jornal que esteve no local.

Fonte: Asemana