Brava/Ano Agrícola: População de Cachaço pede às entidades tomada de decisões “em tempo útil”

Nova Sintra, 28 Nov (Inforpress)  – A população da localidade de Cachaço pediu
às “entidades competentes” a tomada de medidas, perante o mau ano agrícola, “a tempo e hora”, antes que suas crias começam a morrer por falta de pasto e surgimento de doenças.

O apelo foi feito à imprensa, aquando da visita do Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, a esta localidade, onde deparou com uma localidade seca, embora, o cenário não seja diferente das outras localidades que visitou.

Antero Pereira, morador de Cachaço, é pastor e mineiro, mas salientou que a situação está cada dia mais complicada, pois “nem pasto há”.

“Eu estou a aproveitar de um pouco de pasto num terreno que me foi dado para trabalhar, como o ano não foi bom, estou a colher a palha para ver se aguento os animais”, disse o pastor, acrescentando que teme ver os seus animais serem fustigados pela falta de pasto e pragas.

Além disso, referiu que não é somente a falta de pasto que preocupa a população, mas também os ataques que o gado tem sofrido de matilhas de cães que andam à solta pela comunidade.

Sem ser disso, lamentou o facto de outras famílias na localidade estarem desempregadas, de não terem outras fontes de rendimento, dependendo de remessas de familiares e apoios de terceiros.

Perante a situação, em nome de outros pastores e agricultores, pediu a intervenção das “entidades governamentais competentes”, para minimizar os efeitos do terceiro mau ano agrícola.

“Acho que não devem esperar para quando o nosso gado começar a morrer ou a desnutrir, mas sim, que se é de prestar apoio que seja a tempo e hora, porque quando o corpo já não estiver a aguentar não vale a pena”, salientou este pastor

Segundo o mesmo, caso o apoio chegar “a tempo e hora” vão aguentando aos poucos, com algumas diligências e com fé que no ano que se aproxima a situação seja melhor e diferente destes três de seca.

Outra moradora, Ana Lopes, vive da produção caseira de queijo e contou que dia após dia a situação está “cada vez mais difícil” pois, adiantou, não possui animais e o leite é fornecido por terceiros, mas que está a diminuir aos poucos.

“Se compro sete ou oito litros por 80 escudos/litro, faço 12 ou 13 queijos, que vendo por 100 escudos cada e é deste ganho que tiro o sustento da família, com algumas remessas que recebo do meu filho nos Estados Unidos da América”, comentou a moradora.

Enfatizou que foram abertas algumas frentes de trabalho, mas que “infelizmente não foi beneficiada”.

Confrontado o Presidente da República sobre estas preocupações, este realçou que é um aspecto que tem de ser visto, já que o ano agrícola foi mau e nas zonas agrícolas como Cachaço as pessoas são dependentes da agricultura, criação de gado e produção doméstica de queijo, situação que, conforme o mesmo, é visível também noutras localidades.

Portanto, ressaltou que o programa de mitigação da seca deve ser executado “em tempo útil”, de maneira que aquilo que as populações necessitam chegue “no tempo devido, adequado e oportuno”, e não num “momento menos preciso”.

Mas, adiantou que numa conversa com o presidente da câmara municipal, Francisco Tavares, este adiantou-lhe que está em articulação com o Governo e o Ministério da Agricultura e Ambiente, que espera ser frutífero, e que as ajudas cheguem a tempo, uma vez que a avaliação deste ano feito pelo autarca apresenta uma situação “um pouco pior” do que nos dois anos anteriores.

Fonte: Inforpress