Autárquicas 2020/São Vicente: “Daqui a quatro anos tudo será mesma estória”, diz munícipe à candidatura do PAICV

Mindelo, 13 Out (Inforpress) – A candidatura do PAICV à Câmara Municipal de São Vicente, liderada por Albertino Graça, encontrou no Alto Solarine a munícipe Tanha (Antónia Rodrigues) que, desgastada com os políticos, revelou que “daqui a quatro anos tudo será mesma história”.

A Inforpress acompanhou os contactos porta-a-porta do PAICV no Alto Solarine, uma zona próxima ao centro da cidade e parece convidar pessoas a subi-la para contemplar a Baía do Porto Grande.

Mas entre as subidas íngremes, constou vários problemas vividos pela população, como saneamento, acessibilidade e, sobretudo, habitação, este último que se vai aprofundando à medida que se sobe.

Encontramos Tanha (Antónia Francisca Rodrigues) de 50 anos, 30 dos quais a morar no Alto Solarine. A abordagem da candidatura de Albertino Graça foi um ápice para um desabafo “profundo e magoado” de Tanha que mora sozinha com o filho numa casa de lata.

Tanha afirmou que “não quer saber de campanha eleitoral” e, di-lo com “absoluta certeza, que se viver daqui há quatro anos tudo será a mesma estória”.

“Se tiver que viver mais quatro anos de vida, vou ver a mesma coisa, as mesmas dificuldades e mesma situação. Deixa-me dizer logo uma coisa de forma clara, porque falo a verdade, neste tempo de pandemia não vi nem o PAICV, nem o MpD nem a UCID”, começou por desabafar.

Além da falta de uma habitação condigna, a munícipe disse que recebe uma pensão social que usa para pagar as contas de luz, para comer, comprar materiais de escolares do filho, que estuda o 8º ano, comprar água e pagar para transportá-la até à sua casa.

Por isso, segundo Tanha, “todos os políticos falam a mesma coisa e quando sobem na cadeirinha lá no alto (poder) não se importam com a população”.

Por sua vez, a vice-presidente da Comissão Política Regional do PAICV em São Vicente, Arlinda Medina, disse que, enquanto munícipe, Tanha reivindicou diferentes aspectos da sua vida e que são direitos que ela tem.

A mesma constatou que Tanha mora em “más condições”, mostrou que “é uma mulher batalhadora”, mas lembrou que “o PAICV nunca foi poder local em São Vicente”. Pelo que, pediu a confiança da munícipe para eleger Albertino Graça presidente, porque, explicou, “ele tem um programa eleitoral voltado para as famílias, para os jovens para o desenvolvimento da ilha e cuja habitação é um factor essencial”.

Para além de Albertino Graça (PAICV) concorrem ao cargo de presidente da câmara de São Vicente António Monteiro (UCID), Augusto Neves (MpD), e Nelson Lopes (Movimento Mas Soncent).

Nas autárquicas de 2016, em São Vicente, concorreram Augusto Neves, pelo MpD, que teve maioria absoluta na câmara com 48,97 por cento (%) dos votos, António Monteiro (UCID), que conseguiu 28,28%, e Alcides Graça (PAICV) que teve 20,75%.

Em São Vicente, para as eleições do dia 25 de Outubro, estão inscritos 52.509 eleitores (mais 707 em relação ao escrutínio de 2016), distribuídos por 192 mesas de voto.

Participa na corrida um total de 65 candidatos, sendo 22 do MpD, 22 do PAICV, sete da UCID, dois do PP (um no município da Praia e um para Assembleia Municipal na Boa Vista), e mais 12 candidatos independentes que disputam as câmaras municipais da Ribeira Grande (1), de Santa Catarina (1), São Domingos (1), Tarrafal de São Nicolau (1), Sal (1) Tarrafal de Santiago (1), Praia (4), São Vicente (1).

Fonte: Inforpress