A OBRA DE AMÍLCAR CABRAL ENQUANTO CONTRAPONTO EFICAZ ÀS AMEAÇAS DE DESORDEM ECONÓMICA, SOCIAL E POLÍTICA

 

A história dos Povos e Nações é ato de grandes impulsos que lhe foram dados por grandes protagonistas de feitos marcantes de épocas, um pouco por todas as civilizações.

Cabo Verde e Guiné-Bissau têm um percurso histórico que foi marcado por uma época que assinalou profundas transformações na respeitabilidade dos respectivos povos que viveram séculos sob as maiores atrocidades como a escravatura, abandono à fome, o fascismo e a colonização das mentalidades.

Neste contexto emergiu uma figura ímpar da história da humanidade, AMÍLCAR CABRAL, que com a sua excepcional sabedoria humanizada, soube conceber e conduzir uma luta de libertação nacional exemplar, por isso vitoriosa.

Mas a grandeza do seu pensamento e da sua obra foi transcendente, por ter contribuído para a luta libertadora de povos africanos e, de um modo geral, para a libertação dos povos oprimidos.

Através do estudo permanente dos contextos sociais, económicos e políticos de a que a sua época foi portadora, de uma fecunda análise dos processos nas suas causas e efeitos, de uma construtiva confrontação com outros grandes pensadores do mundo e do seu tempo, ele soube bem interpretar a Humanidade do seu tempo, sabendo-se escutar e apreciar, para além do seu espaço natural, para ser Universal.

Muito se tem produzido em reflexões, simpósios, conferências e fóruns, pensadores renovados de forma contínua têm sucessivamente encontrado no imenso pensamento de AMÍLCAR CABRAL, cada vez mais e profundos contributos da maior actualidade para as complexas questões que se colocam ao desenvolvimento humano.

No nosso país é de se referir o imenso e profícuo trabalho que a Fundação Amílcar Cabral tem produzido de salvaguarda da sua memória e do seu grandioso legado teórico, enquanto patriota exemplar e enquanto cidadão do mundo.

E não é por acaso que renomados grandes pensadores mundiais vêm buscando e reflectindo sobre o imenso acervo daqueles que deram sempre e continuando enriquecendo a Humanidade com a elevação do seu pensamento e da sua ação, com abnegação, renúncia, sacrifícios e entrega, sagrando assim os mais caros valores e princípios da universalidade do Homem.

A prestigiada “BBC World Hitories Magazine” que conta com destacados historiadores, chegou ao fim de um longo trabalho, por entre nomeados de prestígio, distinguir como 1º líder da História da Humanidade, MAHORA RANJIT SINGH, Líder do Império Sikh do início do século XIX, pelo seu papel modernizador e unificador que marcou de forma positiva o Punjab e o noroeste da Índia.

Em segundo lugar, valorizou AMÍLCAR CABRAL, como o 2º maior líder da História de todos os tempos, pelo seu papel excepcional na libertação dos povos da Guiné-Bissau e Cabo Verde, na libertação dos povos africanos e dos povos oprimidos, para além do contributo que isso significou para a libertação de Portugal do jugo fascista e ditatorial.

Tamanha distinção não pode deixar-nos indiferentes. Sentimo-nos grandemente e excepcionalmente gratos por quanto de honroso nos lega Cabral com tanta distinção no reduto das grandes luzes da Humanidade.

É que o génio de Amílcar Cabral consistiu em prestar humanismo ao conhecimento, orientar objectivamente o seu pensamento e a sua ação, instituindo assim uma existência de paz para os povos, na liberdade individual e colectiva.

Amílcar Cabral ensina-nos a ir para além da democracia como meio de participação política, mas, sim, via para assegurar aos cidadãos, capacidade de exercício do poder … porque não o referendo e a ação populares, contrapondo-se assim à tirania da maioria.

Com Cabral, a esperança é possível para a retoma de uma utopia do Homem Novo, no combate persistente ao desemprego tanto conjuntural, como estrutural, à insegurança, aos flagelos absolutos da prostituição, da droga e da exclusão social, da ignorância, da criminalidade e da violência.

O júbilo e a exaltação são grandiosíssimos, ao mesmo tempo que nos coloca o complexo desafio do anquilosamento institucional, para passarmos à dinâmica relacional, feita de uma nova síntese dialéctica entre o optimismo e o pessimismo.

Com Amílcar Cabral os Deputados da Nação são chamados a honrar o seu estatuto, para darem voz e vez a todos os estratos sociais, cultivar a ética parlamentar com exclusividade do seu exercício, reflectir sobre os retornos dos seus privilégios, em sacrifícios e entrega pessoal e profissional, evitar conflitualidades com cargos públicos e interesses privados, condicionar os direitos, regalias e imunidades.

Esta congratulação póstuma a Amílcar Cabral é um apelo vivo às instituições da República e seus titulares, às forças vivas da Nação, a toda a sociedade civil, para que todos centremos a política no imperativo de todos juntos construirmos o bem-estar moral, social e cívico do nosso país, situando-se deste modo na universalidade do humanismo de Amílcar Cabral.

O povo é sagrado, e como Cabral, temos que saldar a nossa dívida para com ele e para com a Humanidade, pelo que somos chamados a dedicar-nos muito mais à(s):

• Família para assegurar o seu papel de relevo na formação cívica e valorativa da cidadania e da moralidade;

• Juventude das novas exigências e realidades sociais, económicas e políticas que sem resposta caminham para a apostasia política, para o vazio e a solidão;

• Mulheres para juntamente com os Homens, ser continuada a ingente luta para a afirmação da paridade de gênero;

• Comunicação Social, como universidade de princípios, de valores, de participação, da pedagogia da civilidade;

• Instrução, à saúde, ao trabalho valorativo do individuo, ao combate à ineficiência dos sistemas policial e judiciário, às mudanças climáticas, à crise da cultura na sua relação com a crise de valores, como outros tantos dos muitos reptos que a sociedade coloca.

O culto da memória histórica é um imperativo, para que saibamos o que somos, de onde viemos e para onde devemos ir. Daí que em relação a Amílcar Cabral tenhamos que assumir uma responsabilidade geracional, para que possamos legar aos vindouros a grandeza e o vigor da sua obra, como contraponto eficaz à desordem económica, social e política que periga um pouco por todo o lado.

Como Cabral, façamos das virtualidades a nossa condição, como principal estratégia da luta pelo progresso dos povos oprimidos.

Por Cabral!

Sempre!

Por: Manuel Pereira Silva*